Aletheia
Modos Esquemáticos - Parte 2
Depois de uma discussão, alguém pega o celular e tenta se distrair. Eu não concluiria, por esse gesto isolado, que conheço seu funcionamento psicológico. A segunda aula de Gabriela Affonso chama atenção justamente para a diferença entre algo que acontece ocasionalmente e um padrão recorrente que traz prejuízo.
No vídeo Modos Esquemáticos - Parte 2, a psicóloga Gabriela Affonso mapeia dez categorias comportamentais para examinar como reações adultas derivam de estratégias de proteção aprendidas na infância. A análise divide esses recursos em modos de enfrentamento desadaptativos — como a complacência e o desligamento emocional — e modos hipercompensadores, voltados ao controle e à dominação. A abordagem importa porque estabelece um critério claro de distinção entre atitudes esporádicas de alívio e padrões esquemáticos recorrentes que moldam a estrutura de personalidade. Ao expor a função defensiva de cada conduta, a autora desloca a discussão da simples rotulação moral para o entendimento funcional da mente humana.
O sistema descrito opera por meio de gatilhos: diante de um estímulo estressante, a pessoa ativa um modo específico para evitar o contato com emoções desconfortáveis. Um exemplo ocorre no chamado protetor desligado, no qual o indivíduo se desconecta do ambiente e passa a agir de forma quase robótica, ou no protetor autoaliviador, que busca distração em excessos como trabalho, jogos ou substâncias. Já na hipercompensação, a pessoa adota condutas de ataque, arrogância ou paranoia para antecipar e neutralizar uma ameaça percebida. Affonso relaciona esses modos a aprendizagens anteriores. Essa é a explicação do modelo apresentado, não uma maneira de deduzir a história de alguém apenas observando um comportamento.
Frequência, intensidade e prejuízo são ressalvas centrais da aula, não uma validação experimental da abordagem. Affonso sugere observar situações, anotar padrões e considerar os feedbacks recebidos; também cita colocar limites como exemplo de resposta diferente à submissão habitual. Ela reconhece que mudar pode ser difícil e menciona o apoio profissional. Eu trataria essas sugestões como conteúdo educativo: não autorizam autodiagnóstico nem prescrevem uma resposta segura para toda relação, especialmente quando há violência.
A distinção que eu levo é entre reconhecer uma reação e transformar seu nome em identidade. O vídeo não demonstra que dificuldades de carreira ou relacionamento tenham uma única origem, e eu não usaria seus exemplos para rotular colegas ou parceiros. Seu valor, para mim, está em abrir uma observação mais cuidadosa sobre o que se repete e quais consequências aparecem. Que padrão você consegue descrever com situações concretas, em vez de apenas atribuir um rótulo a si mesmo?
Assistir: Modos Esquemáticos - Parte 2 · Gabriela Affonso